
Estudioso de longa data do tema, Kamel faz um interessante cruzamento dos ensinamentos das três principais religiões monoteístas do planeta — o Cristianismo, o Judaísmo e o Islamismo — para demonstrar que a percepção geral da fé muçulmana como fonte de violência e terror é, para dizer o mínimo, errônea.
Escrito de forma a prender a atenção, até mesmo do leitor não particularmente interessado em temas políticos ou religiosos, Sobre o Islã é uma lição de como fazer uma boa análise de um assunto que ocupa parte significativa do noticiário atual. Kamel certamente conseguirá atingir os objetivos expressos logo no início da obra junto àqueles que dedicarem algumas horas à leitura de seu livro: “Estarei satisfeito se conseguir (...) ressaltar que as três religiões monoteístas têm mais pontos em comum do que antes o leitor imaginava”, e “dar ao leitor ainda mais certeza de que nenhuma delas é base para o horror do terrorismo”.
Não somos racistas
Não somos racistas é um livro nascido do espanto. Movido pelo instinto de repórter, Ali Kamel, diretor de jornalismo da Rede Globo, começou a perceber que a política de cotas proposta pelo Governo Lula divide o Brasil em duas cores, eliminando todas as nuances características da nossa miscigenação. Ali constata, estarrecido, que, nesta divisão entre brancos e não-brancos, os "não-brancos" são considerados todos negros: “Certo dia, caiu a ficha: para as estatísticas, negros eram todos aqueles que não eram brancos. Cafuzo, mulato, mameluco, caboclo, escurinho, moreno-bombom? Nada disso, agora eram brancos ou negros. Pior: uma nação de brancos e negros, onde os brancos oprimem os negros. Outro susto: aquele país não era o meu”.
A tentativa de entender e reconhecer este novo país fez com que o jornalista, ex-aluno do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ, revisse antigas leituras e pesquisasse documentos, livros e teses. O primeiro capítulo de Não somos racistas mostra como a política de cotas começou a ser construída no governo Fernando Henrique Cardoso. Mostra, ainda, como o jovem sociólogo Fernando Henrique foi uma das cabeças de um movimento que dominou parte da intelectualidade nacional nos anos 1950. Um movimento que se afastava do conceito de multiplicidade e democracia racial proposto por Gilberto Freyre em obras como Casa grande & senzala e dividia o Brasil entre duas cores: negros e brancos.

